DENGUE

A dengue é uma doença febril aguda, causada pela picada de um mosquito infectado com o vírus da doença. São conhecidos quatro sorotipos deste vírus: 1, 2, 3 e 4, sendo que no Brasil não existe circulação do tipo 4.

O mosquito responsável pela transmissão do vírus da dengue é o Aedes aegypti. Ele mede menos de 1 centímetro, tem cor café ou preta e apresenta listras brancas no corpo e nas patas. Não há transmissão por contato direto de um doente com uma pessoa sadia, nem de fontes de água ou alimento. A transmissão só ocorre mesmo pela picada do mosquito infectado pelo vírus.

Há duas formas de manifestação da doença:

-clássica: os sintomas mais comuns são febre, dores no corpo (principalmente em articulações), dor de cabeça e atrás dos olhos. Também podem aparecer manchas vermelhas pelo corpo e cansaço.

-hemorrágica: além dos sintomas acima, há vômitos intensos, sonolência ou agitação e sangramento.

Não há tratamento específico para o paciente com dengue clássico. O médico deve tratar os sintomas, como as dores de cabeça e no corpo, com analgésicos e antitérmicos (Dipirona). Devem ser evitados os salicilatos, como o AAS e a Aspirina, já que seu uso pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas. É importante também que o paciente fique em repouso e receba hidratação.

Já os pacientes com dengue hemorrágica devem ser observados cuidadosamente para identificação dos primeiros sinais de choque, como a queda de pressão. O período crítico ocorre durante a transição da fase febril para a sem febre, geralmente após o terceiro dia da doença. A pessoa deixa de ter febre e isso leva a uma falsa sensação de melhora, mas em seguida o quadro clínico do paciente se agrava.

Depois de termos dengue, podemos ter novamente a doença, mas nunca pelo mesmo tipo de vírus. Ou seja, a pessoa fica imune contra o tipo de vírus que provocou a doença, mas ela ainda poderá ser contaminada pelas outras três formas conhecidas do vírus da dengue.

Como é praticamente impossível eliminar o mosquito, é preciso eliminar os locais de reprodução do Aedes aegypti, identificando objetos que possam se transformar em criadouros. Por exemplo, uma bacia no pátio de uma casa é um risco, porque, com o acúmulo da água da chuva, a fêmea do mosquito poderá depositar os ovos neste local. Então, o único modo é limpar e retirar tudo que possa acumular água e oferecer risco.

Também pode-se utilizar telas e repelentes para evitar a picada do mosquito.

Ainda não existe vacina contra a dengue, mas a comunidade científica internacional e brasileira está trabalhando neste propósito.



Dra. Fernanda Formagio de Godoy Miguel
Pediatra
CRM: 104.673