ALIMENTAÇÃO MATERNA DURANTE A AMAMENTAÇÃO

No período da amamentação ou lactação, existem algumas particularidades que ocorrem no organismo materno, como a maior mobilização das reservas de gordura, facilitando a perda de peso.

A produção de leite também é responsável por um gasto energético: cada 1 litro de leite produzido corresponde a cerca de 900 calorias gastas.  Considerando que a média diária de produção de leite é de 850 ml, a mamãe que amamenta gastará cerca de 765 calorias a mais por dia.

Na prática, isto corresponde a uma necessidade energética adicional de cerca de 500 calorias por dia, entre proteínas, vitaminas e minerais.

A média de perda de peso adequada é de 0,5 a 1 kg por mês. Mas como muitas mulheres preocupam-se em voltar ao peso anterior à gestação, acabam alimentando-se de forma errada na tentativa diminuir a ingestão de calorias para esta perda de peso ser mais rápida.

Porém, é importante ressaltar que a restrição dietética gera estresse e diminuição da produção de leite.

Algumas dicas e recomendações para este período de amamentação:

  • Não é indicado restringir alimentos, com exceção de casos de alergia alimentar diagnosticada no bebê, onde são retirados da dieta materna os alimentos alergênicos.
  • Ingestão de fibras para prevenir obstipação intestinal.
  • Consumo de 3 porções de peixes por semana aumenta a concentração de ácidos graxos no leite materno. Os ácidos graxos são indispensáveis ao bebê, para o sistema nervoso central, retina e sistema imunológico.
  • Ingestão de no mínimo 1 litro de água por dia (não líquidos), sendo o ideal 2 litros por dia.
  • Não há estudos que comprovem malefícios dos adoçantes. A Sucralose, por ser toda excretada, é de uso seguro.
  • Os anticoncepcionais devem ser prescritos pelo médico, especificamente para este período.
  • A nicotina do cigarro é transferida para o leite materno, causando irritabilidade do bebê e diminuindo a produção de leite.
  • Ingestão de álcool não é recomendada, por causar alteração do odor do leite e diminuir a capacidade de sucção do bebê. A ingestão esporádica, após a amamentação, 2 horas antes de amamentar e em pequenas doses não afeta a dinâmica da amamentação.
  • Não há comprovação de que a exclusão de alimentos previne a cólica do bebê; nestes casos evita-se, no máximo, alimentos com maiores teores de compostos fenólicos (leguminosas, couve-flor, couve, brócolis, nabo, cebola, sacarose, etc.). Porém, isto não tem comprovada eficácia. A cafeína (chocolate, café, bebidas à base de cola) acelera os movimentos intestinais do bebê e pode causar desconforto, irritabilidade e insônia quando em excesso. O ideal é que seja consumido até 150ml diários (3 xícaras pequenas de café).

 

Dra. Fernanda Formagio de Godoy Miguel

Pediatra pela SBP

CRM: 104.671