O que precisamos saber sobre Doença de Alzheimer?

  • Doença de Alzheimer:

A Doença de Alzheimer (DA) é o principal tipo de Demência diagnosticado no mundo. Trata-se de um transtorno neurodegenerativo progressivo que se manifesta por deterioração cognitiva e da memória, comprometendo as atividades de vida diária e provocando alterações comportamentais. Essa doença afeta mais os idosos, sendo responsável por mais da metade dos casos de demência na população com mais de 65 anos.

  • Envelhecimento Populacional e DA:

O processo de envelhecimento populacional mundial que estamos vivenciando cursa com o aumento significativo da incidência de doenças crônicas e incapacitantes, as quais exigem cuidados constantes, pioram com o tempo e não têm cura. Este é o caso das demências.

Estima-se haver cerca de 46,8 milhões de pessoas com demência no mundo. Este número praticamente irá dobrar a cada 20 anos, chegando a 74,7 milhões em 2030 e a 131,5 milhões em 2050 segundo dados fornecidos pelo Relatório de 2015 da Associação Internacional de Alzheimer (ADI).

  • Atitudes em Demência:

O Relatório Mundial de Alzheimer  de 2019 apresentou os resultados da maior pesquisa sobre as atitudes em relação à demência realizado até o momento – alcançando cerca de 70 mil pessoas de 155 países e territórios. A análise dos dados foi realizada pela Escola de Economia e Ciência Política de Londres (LSE). E revelou:

- uma falta surpreendente de conhecimento sobre demência em todo o mundo, visto que dois terços das pessoas ainda pensam que a demência faz parte do envelhecimento normal e não que é uma desordem neurodegenerativa.

- o estigma que cerca a demência está impedindo as pessoas de procurarem informação, orientação, apoio e ajuda médica que poderiam aumentar drasticamente seu tempo e qualidade de vida para uma das causas de morte que mais vem crescendo no mundo. 

  • Fatore de risco X Prevenção:

- Idade: é o principal fator de risco para o desenvolvimento de demência da Doença de Alzheimer (DA). Após os 65 anos, o risco de desenvolver a doença dobra a cada cinco anos.

- Sexo feminino: As mulheres parecem ter risco maior para o desenvolvimento da doença, mas talvez isso aconteça pelo fato de elas viverem mais do que os homens.

- Não é hereditária: Os familiares de pacientes com DA têm risco maior de desenvolver essa doença no futuro, comparados com indivíduos sem parentes com Alzheimer. No entanto, isso não quer dizer que a doença seja hereditária. Embora a doença não seja considerada hereditária, há casos, principalmente quando a doença tem início antes dos 65 anos, em que a herança genética é importante. Esses casos correspondem a 10% dos pacientes com Doença de Alzheimer.

- Estimulação cognitiva: Pessoas com histórico de complexa atividade intelectual e alta escolaridade tendem a desenvolver os sintomas da doença em um estágio mais avançado da atrofia cerebral, pois é necessária uma maior perda de neurônios para que os sintomas de demência comecem a aparecer. Por isso, uma maneira de retardar o processo da doença é a estimulação cognitiva constante e diversificada ao longo da vida.

- Fatores de risco: hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e sedentarismo. Esses fatores relacionados aos hábitos são considerados modificáveis. Alguns estudos apontam que se eles forem controlados podem retardar o aparecimento da doença.

  • Conhecimento e Conscientização:

O dia 21 setembro é o dia mundial do Alzheimer, data em que se marca a necessidade de defesa e conscientização da sociedade, sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do cuidado ofertado, bem como do apoio e suporte aos familiares e cuidadores das pessoas que vivem com a doença de Alzheimer.

Dra Flavia Renata Topciu – CRM 121.925

Geriatra pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia

Especialista em Cuidados Paliativos pela Associação Médica Brasileira