Diarreia

A diarreia é uma das queixas mais freqüentes da infância no nosso país.

Mas como saber quando a criança realmente apresenta diarreia?

A diarreia consiste em aumento do número de evacuações com amolecimento das fezes. Devemos lembrar que os bebês normalmente apresentam várias evacuações por dia e fezes líquidas, o que não significa diarreia, e sim seu reflexo intestinal normal após as mamadas. Portanto, para o diagnóstico da diarreia, deve haver uma modificação do hábito intestinal anterior da criança.

Várias doenças podem causar diarreia na infância, como:

- doenças infecciosas: são as causadas por vírus, bactérias e vermes;

- doenças não infecciosas: podem ocorrer por desnutrição, erro alimentar, uso de medicações, alergia alimentar, doença inflamatória intestinal, etc.

É importante verificar se juntamente com as fezes há sangue ou muco, se há também febre, vômito ou cólica associados para que facilite a descoberta da causa.

A grande maioria dos casos tem cura rápida e sem necessidade de tratamento específico. Porém, se não houver hidratação adequada, a criança poderá perder muito líquido e chegar a desidratar.

O que pode ser feito na diarreia para evitar a desidratação é:

- repor líquidos: água, chás, sucos naturais, água de coco e é claro, o soro. O soro pode ser obtido em farmácias e postos de saúde, ou pode ser preparado em casa - o chamado Soro Caseiro: 1 litro de água + 1 colher de chá de sal + 8 colheres de açúcar. Mas cuidado: se houver dúvidas na preparação, é melhor utilizar o soro já pronto. Os líquidos devem ser oferecidos várias vezes durante o dia e após a diarreia ou vômito.

- procurar uma alimentação leve e balanceada, como gelatinas, purê de batatas, maçã cozida, sopa de legumes com frango cozido e bolachas de sal. Evitar comidas artificiais, com corantes e irritantes gástricos, como temperos prontos, sucos artificiais e condimentos.

- ter cuidado com leite e derivados. O leite materno é liberado, porém o leite de vaca possui lactose, que pode agravar ou prolongar a diarreia. Durante este período o seu consumo não deve ser exagerado.

- não usar medicações sem consultar o médico. Analgésicos de uso habitual podem ser dados à criança caso haja febre ou dor. Não faça uso de medicações sem orientação para “cortar” a diarreia.

Para evitar a diarreia, o mais eficiente é lavar bem as mãos antes de comer ou manipular alimentos e após ir ao banheiro; fazer higiene dos alimentos; utilizar sempre água filtrada ou fervida para beber e preparar os alimentos.

Por fim, a higiene local é fundamental. A troca freqüente de fraldas previne o aparecimento de assaduras. Lembre-se sempre de fazer a limpeza entre as trocas com cuidado e secando muito bem e suavemente o local.

Dra. Fernanda F. G. Miguel

Pediatra pela SBP

CRM: 104.671