OBESIDADE                                                                                               

No Brasil e no mundo, a obesidade vem atingindo um número cada vez maior de crianças, e cada vez mais cedo.

Ela ocorre, na grande maioria dos casos, pela associação de fatores: genéticos, ambientais e comportamentais. A qualidade da relação entre mãe e filho é de fundamental importância para o desenvolvimento saudável da criança. Começamos a conhecer o mundo primeiramente por meio da boca. Quando a mãe amamenta, satisfaz duas necessidades vitais do bebê: a fome e a necessidade de amor. Um bom vínculo entre ambos impedirá que a mãe transfira à criança suas angústias e medos durante a amamentação/alimentação e impedirá também que ela queira “compensar” alguma falta com o excesso de alimentação.

Prevenir a obesidade na infância é a maneira mais segura de controlar essa doença, que pode se iniciar já na gestação. A importância de prevenir a obesidade na infância deve-se à sua associação com outras doenças na vida adulta, que podem se instalar desde a infância. A fase da gestação é um período crítico para o desenvolvimento da obesidade, assim como o primeiro ano de vida e a adolescência.

A orientação da família, das escolas e da sociedade é fundamental para a sua prevenção.

As doenças frequentemente associadas à obesidade são: hipertensão arterial, alteração do colesterol e triglicérides, diabetes, alterações ortopédicas (como sensação de fraqueza e dor nos pés, nos calcanhares, nos joelhos, no quadril e nas costas), alterações de pele, pausas respiratórias durante o sono (devido à obstrução das vias aéreas superiores), alterações ósseas (osteoporose na vida adulta).

O tratamento da obesidade inclui orientação dietética, modificação do estilo de vida, ajustes na dinâmica familiar, incentivo à prática de atividade física e apoio psicossocial. Para crianças e adolescentes, o envolvimento de toda a família é fundamental para garantir o sucesso do tratamento e permitir a adesão dos pacientes à terapia. Em situações de obesidade grave ou na presença de doenças associadas, sempre que possível deve-se recorrer ao atendimento por equipe multiprofissional, isto é, que reúne pediatra que atue na área de nutrologia, nutricionista, psicólogo, assistente social, educador físico, entre outros.

Em relação ao uso de medicação específica para obesidade infanto-juvenil, estão hoje disponíveis produtos que podem, em circunstâncias bem determinadas, ser utilizados como auxiliares porém, jamais se inicia um tratamento com medicamentos.




Dra. Fernanda Formagio de Godoy Miguel
Pediatra
CRM: 104.671