Setembro Amarelo – Prevenção do Suicídio

Todo ano retomar esse assunto é necessário, não apenas pelo tabu da temática, mas também por se tratar de um crescente problema de saúde pública.

A taxa de suicídios a cada 100 mil habitantes aumentou 7% no Brasil, ao contrário do índice mundial, que caiu 9,8%, alerta a Organização Mundial da Saúde. Os dados comparam as mortes autoprovocadas registradas pela organização em 2010 e em 2016 em diversos países do mundo.

Embora os jovens formem um dos principais grupos vulneráveis, é entre os idosos que ocorre o maior número de suicídios. O risco é ainda maior entre aqueles que têm doenças crônicas, incapacitantes ou intratáveis e que, por conta da idade, perdem amigos e companheiros de vida.

Não podemos desconsiderar a questão social de que os mais velhos são traduzidos como custo ao Estado e maior gasto com saúde e previdência. Qualquer alteração na qualidade de vida, como simplesmente não conseguir comprar suas medicações para controle de suas doenças pode ser um fator de risco.

Os últimos dados divulgados pelo Ministério da Saúde, referentes a 2017, indicam que os idosos com mais de 70 anos lideram o ranking no País – são quase 9 casos a cada 100 mil habitantes.

O suicídio é um fenômeno prevenível, e para reduzir sua ocorrência é necessário falarmos sobre ele:

 à Fatores de risco: segundo a cartilha “Suicídio: informando para prevenir”, produzida pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM):

  • Tentativa prévia: Pessoas que já tentaram tirar a própria vida têm de cinco a seis vezes mais risco de tentar outra vez. Estima-se que metade daqueles que se suicidaram já tinham tentado antes.
  • Doença mental: Quase todos os indivíduos que se mataram tinham algum transtorno mental, em muitos casos não diagnosticado, não tratado ou não tratado de forma adequada.

Os transtornos psiquiátricos mais comuns incluem depressãotranstorno bipolaralcoolismo e abuso/dependência de outras drogas, transtornos de personalidade e esquizofrenia. Pacientes com múltiplas comorbidades psiquiátricas têm um risco aumentado, ou seja: quanto mais diagnósticos, maior é a vulnerabilidade. Existem ainda fatores desencadeantes, como desesperança, impulsividade, isolamento social e falta de um sentido na vida.

à Sinais de alerta:

-  falar sobre o suicídio (ou frases relacionadas, como “eu gostaria de estar morto” ou “eu não queria ter nascido”);

- ausência ou abandono de planos futuros;

- isolar-se de contato social;

- apresentar grandes mudanças de humor (estar eufórico em um dia e profundamente desencorajado em outro);

- ter atitudes arriscadas, como dirigir de forma imprudente ou entrar em brigas;

- dizer adeus aos amigos e familiares como se não fosse vê-las novamente.


à Conversar sem julgar

O diálogo e a transparência são elementos fundamentais na prevenção. Ao falar com alguém que demonstra ideação suicida, devemos ter uma abordagem acolhedora e sem nenhum tipo de preconceito.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) é um serviço de apoio emocional gratuito e realizado por voluntários via telefone, chat ou e-mail. O modelo é sigiloso e não diretivo, ou seja, não há aconselhamento ou julgamento.

à Tratamento é indispensável

O diálogo é essencial, mas não substitui a necessidade de medicamentos. Se a pessoa sofre de um transtorno mental que exige intervenção farmacológica e não realiza o tratamento, esse ponto se torna um obstáculo para a prevenção. Dar apoio emocional e se mostrar disponível é fundamental, mas o paciente precisa de mais do que isso para se recuperar. 

Dra Flavia Renata Topciu – CRM 121.925

Geriatra pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia

Especialista em Cuidados Paliativos pela Associação Médica Brasileira