Setembro Amarelo – Prevenção do Suicídio

O suicídio provoca choque, tristeza, incompreensão, culpa e muitos outros sentimentos. Mas é um fenômeno prevenível, e para reduzir sua ocorrência é necessário falarmos sobre ele.

 

Uma das maiores barreiras para a prevenção é o fato de que o assunto ainda é tabu. Por razões religiosas, morais e culturais, o suicídio por muito tempo foi visto como um pecado e um motivo de vergonha para a família daqueles que tiraram a própria vida. Na verdade, trata-se de um problema de saúde pública que ainda hoje não é cuidado de forma adequada, haja vista a tendência do Brasil de apresentar taxas crescentes de suicídio.

 

Embora os jovens formem um dos principais grupos vulneráveis, é entre os idosos que ocorre o maior número de suicídios. O risco é ainda maior entre aqueles que têm doenças crônicas, incapacitantes ou intratáveis e que, por conta da idade, perdem amigos e companheiros de vida.

 

 > Fatores de risco: segundo a cartilha “Suicídio: informando para prevenir”, produzida pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM):

  • Tentativa prévia: Pessoas que já tentaram tirar a própria vida têm de cinco a seis vezes mais risco de tentar outra vez. Estima-se que metade daqueles que se suicidaram já tinham tentado antes.
  • Doença mental: Quase todos os indivíduos que se mataram tinham algum transtorno mental, em muitos casos não diagnosticado, não tratado ou não tratado de forma adequada.

Os transtornos psiquiátricos mais comuns incluem depressãotranstorno bipolaralcoolismo e abuso/dependência de outras drogas, transtornos de personalidade e esquizofrenia. Pacientes com múltiplas comorbidades psiquiátricas têm um risco aumentado, ou seja: quanto mais diagnósticos, maior é a vulnerabilidade. Existem ainda fatores desencadeantes, como desesperança, impulsividade, isolamento social e falta de um sentido na vida.

 

> Sinais de alerta:

-  falar sobre o suicídio (ou frases relacionadas, como “eu gostaria de estar morto” ou “eu não queria ter nascido”);

- ausência ou abandono de planos futuros;

- isolar-se de contato social;

- apresentar grandes mudanças de humor (estar eufórico em um dia e profundamente desencorajado em outro);

- ter atitudes arriscadas, como dirigir de forma imprudente ou entrar em brigas;

- dizer adeus aos amigos e familiares como se não fosse vê-las novamente.

> Conversar sem julgar

O diálogo e a transparência são elementos fundamentais na prevenção. Ao falar com alguém que demonstra ideação suicida, devemos ter uma abordagem acolhedora e sem nenhum tipo de preconceito.

 

O Centro de Valorização da Vida (CVV) é um serviço de apoio emocional gratuito e realizado por voluntários via telefone, chat ou e-mail. Em 2017, foram cerca de 2 milhões de atendimentos. O modelo é sigiloso e não diretivo, ou seja, não há aconselhamento ou julgamento.

 

> Tratamento é indispensável

O diálogo é essencial, mas não substitui a necessidade de medicamentos. Se a pessoa sofre de um transtorno mental que exige intervenção farmacológica e não realiza o tratamento, esse ponto se torna um obstáculo para a prevenção. Dar apoio emocional e se mostrar disponível é fundamental, mas o paciente precisa de mais do que isso para se recuperar.

 

 

Dra Flavia Renata Topciu – CRM 121.925

Geriatra pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia

Especialista em Cuidados Paliativos pela Associação Médica Brasileira