TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)

A definição dada pela Sociedade Brasileira de Pediatria para o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do desenvolvimento neurológico, caracterizado por dificuldades de comunicação e interação social e pela presença de comportamentos e/ou interesses repetitivos ou restritos.

Existe hoje, em média, um caso de autismo para cada 110 pessoas. Portanto, estima-se que o Brasil possua cerca de 2 milhões de autistas.

O diagnóstico do TEA ainda não é preciso, e nem mesmo um exame genético é capaz de afirmar com precisão seu aparecimento. As evidências científicas indicam a existência de múltiplos fatores, como fatores genéticos e ambientais.

O TEA é uma manifestação complexa, que normalmente se inicia antes dos 5 anos de idade; porém, cada vez mais, o diagnóstico tem sido precoce. Quanto antes o diagnóstico é feito, antes será feita a intervenção, a qual está associada a ganhos significativos no aprendizado e adaptação da criança.

Os graus de comprometimento são variáveis: há crianças que conseguem levar uma vida independente e há outras que necessitam de auxílio até para atividades básicas, como comer.

No primeiro ano de vida há sinais que são sugestivos: não se voltar para sons, ruídos e vozes no ambiente; pouca interação no momento da amamentação; não seguir objetos e pessoas próximos em movimento; perda de habilidades já adquiridas, como balbucio, contato visual ou sorriso social, ou não apresentar estas habilidades; demonstrar maior interesse por objetos do que por pessoas; não responder ao nome; imitação pobre; incômodo incomum com sons altos.

A avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor é fundamental, indispensável e faz parte da consulta pediátrica.

Não há cura para o TEA e em poucos casos há uso de medicação, como estabilizadores de humor. No entanto, há necessidade de avaliação e acompanhamento multiprofissional (Psicologia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Psicopedagogia, Fisioterapia, Neurologia, Pediatria, Psiquiatria). As terapias comportamentais e programas de treinamento para pais e outros cuidadores podem reduzir as dificuldades e ter um impacto positivo na qualidade de vida e bem-estar da criança.

E devemos lembrar que a família é essencial no desenvolvimento da criança em todos os sentidos.

 

Dra. Fernanda Formagio deGodoy Miguel

Pediatra pela SBP

CRM: 104.671